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Informações sigilosas do disque 100 da polícia Civil vaza ilegalmente em Wanderley e defesa de Geremias pede investigação




Um possível vazamento de informações sigilosas relacionadas a uma denúncia do Disque 100 envolvendo o vereador Geremias Mascarenhas passou a ser objeto de pedido formal de investigação apresentado nesta terça-feira (8) à Delegacia Territorial de Wanderley.

O caso chama atenção porque, conforme relatado pela Defesa, Geremias sequer havia sido formalmente comunicado sobre a existência do procedimento, enquanto informações relacionadas à denúncia já eram de conhecimento do vereador Dedé Silva, que as mencionou publicamente durante sessão da Câmara Municipal e também as utilizou como fundamento em requerimento de cassação do mandato de Geremias.

A pergunta que agora precisa ser respondida é objetiva: como uma informação de procedimento policial de natureza sigilosa chegou ao conhecimento de um agente político antes mesmo de o próprio interessado ter acesso aos autos?

Delegada afirma desconhecer origem do vazamento

A Defesa Técnica de Geremias Mascarenhas manteve contato com a Delegada Dra. Marília para buscar esclarecimentos sobre o episódio.

Segundo informado pela autoridade policial à Defesa, ela não sabe como a informação sigilosa chegou a terceiros.

Diante da gravidade da situação, a Defesa protocolou nesta terça-feira (8) um Requerimento de Informações e Providências Policiais, solicitando a apuração da origem do vazamento e de eventual responsabilidade de quem tenha acessado ou repassado indevidamente os dados.

Defesa pede investigação e auditoria dos sistemas

O pedido vai além de uma solicitação genérica de esclarecimentos.

A Defesa requereu a instauração de inquérito policial específico para apurar possível violação de sigilo funcional, além da realização de auditoria dos logs de acesso dos sistemas da Polícia Civil e da Secretaria de Segurança Pública da Bahia.

A medida busca identificar quais usuários ou matrículas funcionais acessaram o registro relacionado ao Disque 100, bem como eventuais consultas, downloads ou impressões, além dos IPs, terminais, datas e horários dos acessos.

A Defesa também pediu que a Delegacia informe oficialmente se existem servidores públicos municipais cedidos pela Prefeitura de Wanderley trabalhando na unidade policial e, em caso positivo, quais seriam suas funções e níveis de acesso aos sistemas internos.

Informação teria sido utilizada politicamente

Outro ponto que aumenta a gravidade do episódio é a alegação de que a informação não teria ficado restrita a uma conversa particular.

Segundo a Defesa, Dedé Silva utilizou a existência da denúncia tanto em pronunciamento na Câmara quanto como fundamento para requerer a cassação do mandato de Geremias Mascarenhas.

A questão, portanto, ultrapassa a simples descoberta de que existia uma denúncia: uma informação proveniente de ambiente restrito teria chegado ao conhecimento de terceiro e posteriormente sido utilizada no ambiente político.

O episódio já possui, inclusive, desdobramento judicial. Conforme consta no requerimento apresentado à Polícia Civil, foi ajuizado Pedido de Explicações em Juízo Penal, processo nº 8000780-59.2026.8.05.0070, em tramitação na Vara Criminal de Cotegipe, no qual foi determinada a notificação de Dedé Silva.

Afinal, quem acessou e quem repassou a informação?

É justamente isso que a Defesa pretende descobrir.

A auditoria dos registros eletrônicos poderá ser fundamental para reconstruir o caminho percorrido pela informação: quem acessou, quando acessou, em qual terminal e se houve download ou impressão do conteúdo relacionado ao procedimento.

A Defesa de Geremias Mascarenhas afirma que não pretende impedir ou dificultar qualquer investigação regularmente instaurada. O que se busca é esclarecer como informações de natureza sigilosa chegaram a terceiros e passaram a ser utilizadas no cenário político de Wanderley.

Agora, caberá às autoridades apurar a origem do vazamento e verificar se houve participação ou responsabilidade funcional de qualquer pessoa.

Se a informação era sigilosa, alguém teve acesso. Se chegou a terceiros, é preciso descobrir de onde saiu.

O Blog Veja Oeste continuará acompanhando o caso e deixa espaço aberto para manifestação das pessoas mencionadas.

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