Lelei Barreto revela bastidores do racha com Natalito em Morpará


ENTREVISTA EXCLUSIVO 

A política de Morpará atravessa um momento de ruptura definitiva. O ex-prefeito Lelei Barreto, mentor da candidatura do atual gestor Natalito Ribeiro, falou em entrevista exclusiva ao Caderno 1, expondo os bastidores de uma crise que corroeu a aliança vencedora das últimas eleições.

Distanciamento Público

Desde a posse, percebe-se um distanciamento público entre o senhor e o prefeito Natalito Ribeiro. Esse afastamento nas redes sociais e atos oficiais foi uma estratégia proposital desde o início ou reflexo de desentendimentos pontuais?

Quando a gente não é convidado, ou sente que não é bem-vindo num determinado ambiente, melhor ficar em casa, não é mesmo? Perceba que desde o início do governo nunca participei de qualquer agenda com o prefeito em Salvador, onde poderíamos centrar esforços para ampliar as conquistas para Morpará. Inclusive, um dia antes ao Ato organizado pela Governo do Estado, para assinatura de alguns convênios, entre eles o da Escola Luiz Palmeira, projeto remanescente do meu governo, eu estava numa agenda do SEBRAE no Costa Azul, discutindo Educação Empreendedora, mas, como não fui convidado pelo gestor, peguei ônibus e vim embora. Não faria sentido eu chegar de surpresa na festa, apesar que seria muito bem acolhido pela equipe do governo do Estado e colegas presentes, porém, imagino que causaria incômodo ao gestor.

Falha de Sucessão

Considerando que o senhor foi o principal mentor político da eleição de Natalito, o senhor reconhece, hoje, que essa crise administrativa e o rompimento político são frutos de uma falha na sua própria escolha de sucessão?

Não houve falha na sucessão, ele se credenciou de forma natural, na caminhada, com participação ativa na política. Quando fui candidato a prefeito pela primeira vez, em 2004, Natalito me sucedeu na Câmara de Vereadores, as pessoas sabiam que ele estava entrando para dar continuidade ao projeto, pois, caso não alcançássemos êxito no executivo, ficaríamos com representação no legislativo. E depois que chegamos à prefeitura, em dois dos três mandatos ele foi Secretário Municipal , e no último foi vice-prefeito. Em resumo, era o nome que mais merecia e preenchia os critérios administrativos, em função da caminhada e das funções que exerceu. E mesmo eu conhecendo o temperamento, o jeito ríspido e grosseiro, avaliava que isso poderia ir melhorando com um tempo, e sempre dizia: por consideração à história, posso está até brigado com Natalito, que tenho obrigação moral de defendê-lo como sucessor.

Avaliação da Educação

Em sua carta de despedida, o senhor pede que o prefeito "zele do povo e valorize a educação". Esse apelo é um indicativo de que o senhor acredita que a gestão atual está negligenciando estas áreas desde que assumiu?

Sim, considerava que existia pouca disposição para resolver as demandas da Secretaria de Educação, mas, com um tempo foi melhorando, apesar que ainda deixa muito a desejar. Este ofício - pedido de exoneração - que foi postado no Grupo Forte é Povo, de Morpará, é de 19 de fevereiro de 2025, apresentado um mês após a minha nomeação, ocasião em que tivemos divergências relativas aos encaminhamentos sobre a reforma do hospital, onde os serviços iniciais (REFORMA DA ALA DAS ATUAIS ENFERMARIAS E DO LOCAL DE INSTALAÇÃO DO RAIO-X) dependia de recursos próprios. Achei muita falta de bom senso e excesso de arrogância e capricho, quando externou: “VOCÊ ESQUECEU DE COMBINAR COMIGO, QUE SOU PREFEITO ELEITO, NÃO INVISTO UM CENTAVO NO HOSPITAL COM RECURSOS PRÓPRIOS. TERÁ QUE AGUARDAR O CONVÊNIO”. porém, na campanha, era paz e amor. Em seguida, houve a troca do responsável técnico, com a alegação que o novo engenheiro que pretendia contratar, havia encontrado vários erros no projeto, argumento utilizado para demitir a autora do projeto, decisão que além de atrasar o convênio, geraria desperdício de dinheiro público, tendo em vista o trabalho desenvolvido e recurso investido. Enfim, o projeto que foi feito no meu governo, foi jogado na lata do lixo e até agora o convênio não foi assinado. A justificativa apresentada para substituição da responsável técnica, o tempo de encarregou de esclarecer que não colou.

Governabilidade

Como o senhor avalia a governabilidade de Morpará diante desta crise aberta entre quem, até pouco tempo, formava o mesmo grupo político?

Confesso que estou muito triste e decepcionado com o comportamento do gestor, e não consigo fazer de conta que está tudo bem, pois, existem posicionamentos administrativos equivocados, autoritários, falta de respeito, consideração e o prefeito ainda age no intuito de me aniquilar no processo político. Inclusive tem demonstrado suas intenções na pratica do dia a dia e ao trabalhar nos bastidores, de forma antecipada e calculista, para que após o seu período de mandato, 4 ou 8 anos, meu nome não entre em discussão para a sucessão municipal, alegando que já fui votado 5 vezes para prefeito e que já basta. Ora, apesar da preocupação e jogo baixo do gestor, nunca disse que serei candidato, é muito cedo, deveria estar preocupado de fazer um bom mandato, cuidar de suas obrigações e tratar bem o povo, mas, enfim, apesar de tudo, a minha saída da Secretaria é no sentido de um reposicionamento, de ter voz ativa e fazer críticas quando necessário, a fim de evitar novas barbeiragens, pois, se vacilarmos, podemos cair no abismo, entregando a politica de mão beijada à oposição. E essa turma a gente já conhece, é sinônimo de atraso e regresso.

Portanto, minha saída não afeta a governabilidade, pelo contrário, ajudará o governo, a disputa será interna, dentro do PT.

Futuro Político

Qual será a sua postura a partir de agora: oposição declarada ou neutralidade no cenário municipal?

Minha posição será pelo fortalecimento do PT, cobrar do gestor posições coerentes com as diretrizes que sempre nos impulsionaram a fazer política. Encorajar as demais pessoas a não se calarem diante de algo que estiver incomodando, pois, não podemos ter medo da caneta do gestor, que intimida os funcionários que o criticam. Ele não é maior do que a Lei e isso não pode ser postura de um petista. No PT não admitiremos arbitrariedades.


após a repercussão do caso, o Diário Oficial publicou a exoneração de Lelei Barreto do cargo de secretário municipal. em 08 /06/2026

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